segunda-feira, 22 de maio de 2017

Guerra, Juízos de Valor e Objetividade


Durante a maior parte da História humana, era sequer imaginável a ideia de que todas as vidas tivessem o mesmo valor. Tal ideia é construção da modernidade, vindo no bojo de outras ideias iluministas.

Ocorre que os antigos eram mais guerreiros que os modernos. E a ética do guerreiro necessita ser precisa e extremamente pragmática, muito diferente da ética do nobre ou do burguês, onde a hipocrisia é elemento fundador.

Ninguém que tenha alguma noção do que é a guerra diria que todas as vidas humanas tem o mesmo valor e devem ser preservadas do mesmo modo. Se o guerreiro se alia aos indivíduos menos nobres, provavelmente será traído. Caso se alie aos covardes, provavelmente acabará morto. Caso se alie aos menos habilidosos, também aumentam as chances de acabar morto ou escravo. Daí que há, nessas sociedades, uma necessidade real e prática de distinguir os melhores dos piores e de premiar os melhores.

A dimensão moral que nasce da guerra, do sofrimento, do contato fatal com a morte e a tragédia, na minha humilde opinião de estudante de filosofia e psicologia, é aquela que mais nos faz jogar por terra nossas celebradas ilusões pseudodemocráticas (e completamente demagógicas).

É por isso que jamais digo que amo ou posso amar a todos ou quero e sempre vou querer o bem de todos. Tenho plena noção de que numa situação de guerra e de morte iminente, só me sacrificaria mesmo por um punhado de gente.

Como uma pessoa cristianizada, a medida de amor, pra mim, é o sacrifício. E, se não posso me sacrificar por todos, como posso amar ou bem querer a todos?

Assim, está claro para mim que algumas vidas são mais importantes que outras, que algumas pessoas são melhores que outras, e que algumas companhias são mais úteis que outras. Como se pode  notar, penso em termos bélicos.

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